|
|
por:
João
MacDonald |
 |
| O futuro
é dos jovens jornalistas |
|
Melhor do que a Escola de Natação
Para Peixes que uma vez o Peninha fundou em casa do Donald
(com um curso de aviação para peixes-voadores),
só mesmo a Associação Nacional dos
Jovens Jornalistas, apresentada publicamente no final do
ano transacto e que é apoiada pela Associação
Nacional de Jovens Empresários.
Jovem: se és jovem e ambicioso, tens um curso de
jornalista, procuras aventura e emoção, junta-te
à Associação Nacional de Jovens Jornalistas,
por que eles podem ajudar-te no futuro profissional. Porquê?
Porque os Jovens Empresários, que, para quem ainda
não saiba, são os garantes da integridade
jornalística e do Código Deontológico,
encontram-se imbuídos de uma vontade incontrolável
de lutar pelos direitos dos Jovens Jornalistas que não
se conseguem defender dos Velhos Jornalistas e dos Velhos
Empresários. Juntos o futuro sorrirá radioso,
as notícias serão mais verdadeiras e que nem
sequer se pense na mistura explosiva que pode resultar de
combinar jornalistas com empresários. Ambos respeitam-se,
amam-se, admiram-se, entreajudam-se, lutam por um propósito
comum.
Desta junção associativa pode-se finalmente
perceber o que quer dizer a tão usada expressão
«estratégia sustentada»: em bom inglês,
«I scratch your backs and you scratch mine».
J.M. (jovem jornalista)
|
 |
| It´s
a Kind of Magic |
|
Você é daqueles que ainda
não percebeu qual é o encanto do Magic The
Gathering ? Não entende a razão de centenas
de milhares de pessoas de todo o mundo passarem horas em
torno do jogo? Parece-lhe um jogo estranho, impenetrável,
ou até adolescente? Poderá já ter chegado
à frente com algumas teorias, como por exemplo «o
fascínio que os mundos místicos das cartas
exercem sobre o imaginário infantil perdido de cada
um de nós», mas isso não chega para
explicar a coisa, pois não?
Talvez a resposta a isto tudo não esteja nas terras
de Urza, mas em Las Vegas. Magic The Gathering é
poker. No poker, paga-se para entrar no jogo - no Magic
baixam-se «cartas de terreno» para começar
-; no poker o acaso é a regra - no Magic compram-se
pacotes de cartas sem saber o que está lá
dentro -; no poker o objectivo é ficar com o dinheiro
dos outros antes que os outros fiquem com o nosso - no Magic,
lê-se nas instruções, a ideia é
«reduzir a pontuação do oponente de
20 a 0 antes que ele ou ela faça mesmo a você».
Mas, tal como no poker e em qualquer outro jogo de casino,
a casa ganha sempre. Tal como no Magic, cuja casa é
a Wizzards of the Coast, Inc.. Pronto, era só para
dizer isto. J.M.
|
 |

Loop Urbano |
|
Hoje, o que mais nos atrai nas cidades
são os desvios que elas infligem a si mesmas. Desvios
conscientes ou inconscientes, mas não os desvios
violentos, antes aqueles que proporcionam pequeninas implosões
cerebrais cujas ondas de choque batem ao de leve no interior
da ossatura craniana. Isto é, euforia.
A Rua Morais Soares em Lisboa faz esquina com a Rua Sá
da Bandeira no Porto. Desvios destes são inconscientes.
Queremos falar dos conscientes. Assim, e para uma geografia
acidental urbana, os maiores avanços concretizados
nas duas principais cidades do país são, a
saber: o viaduto de Massarelos, no Porto, e a quádrupla
escadaria rolante da Baixa ao Chiado, em Lisboa. O primeiro
é o momento prependicular à cidade, o segundo
é intestinal. O que menos têm de importante
é o melhoramento da qualidade de vida e fluidez do
trânsito, pois esses são os objectivos concretos,
demasiadamente conscientes.
O que mais têm de importante é a sua função
orgânica e o modo como colocam o nosso corpo em relação
ao mapa da cidade. Fazemos umas centenas de metros por cima
do Douro como em pequeno voo de planador, descemos à
Baixa ou subimos ao Chiado nos degraus móveis. Uma
escada rolante é sempre uma metáfora do mecanicismo
contemporâneo. Poderá não ser de fulcral
importância esta consideração. Mas temos
de ter alguma coisa para compensar o desprezo excercido
sobre a 2ª Circular ou sobre o sinal de proibido buzinar
no túnel da Ribeira. J.M.
|
 |
| Marco
Paulo, o Pensador |
|
Citemos Marco Paulo, em recente entrevista
a uma revista popular: «O pimba veio abandalhar a
música». Surpreendente afirmação,
vinda de quem vem. Dir-se-á: mas quem é Marco
Paulo para dizer semelhante coisa, ele que é o sumo
pontíficie do pimba? Pois Marco Paulo disse-o precisamente
por ser o sumo pontíficie do pimba, tal como Eurico
de Melo é a reserva moral do PSD. Estranhos tempos,
estes em que vivemos.
Na recente história da música popular portuguesa,
Marco Paulo é um nome que se cumpriu, e cumpriu-se
à custa de um cioso jogo de cintura, inimitável
mas canónico, distante mas tão próximo,
primário mas harmonioso. A sua história é
heróica: vindo do Portugal profundo, subiu aos holofotes,
foi romântico enquanto era preciso ser romântico
(uma espécie de Tony de Matos das donas-de-casa dos
anos 80), Herman consagrou-o (Serafim é nome de anjo
e Saudade é nome de sentimento), a televisão
deu-lhe um espaço nobre, Marco em si condensou uma
luta cancerosa comum a tantos que nos são queridos
e venceu-a, e hoje possui uma imagem impoluta.
Ora, por causa disto tudo, que será heróico
para quem o quiser, mas não certamente para outros,
Marco Paulo dá-se ao direito de teorizar sobre o
pimba. É, portanto, um discurso meta-pimba. Essa
é a síntese fulcral do estado e significado
da música pimba: auferiu a si mesma uma condição
transcendental. Marco Paulo tornou-se num opinion-maker
paradoxal. O pimba ataca o pimba, ou seja, o pimba tem uma
opinião de não-pimba, colocando-se do lado
dos que pensam, por oposição aos que desconfiam
de quem pensa. Onde é que, afinal, está exactamente
Marco Paulo? Ele está no meio de nós. J.M.
|
 |
| Porno-saudades |
|
Ah, que saudades de umas semanas atrás,
quando a reposição de Profiler nos deixava
ver Traci Lords no pequeno ecrã... J.M.
|
 |
| A religião
faz parte das nossas vidas |
|
9,970969962391 euros depois de Cristo,
a Nova Era, a New Age, manifesta-se urgentemente na tensão
pré-milenar, tal como Tricky definiu estes últimos
anos do século que se fina. Em todo o lado emerge
uma consciência vibrante mas tranquila, em todos os
cantos do planeta valores mais altos se levantam. Já
tínhamos a Madonna zen no seu recente álbum
Ray of Light, Scorcese resolveu subir ao Tibete na sua última
película, os Beastie Boys purificaram-se em Intergalactic
e Luís Filipe Menezes, dizem os jornais, ainda está
em estado de graça autárquico. Tudo bons sinais,
portanto, para contrariar a referida tensão pré-milenar
(não confundir com as inciais TPM, tensão
pré-menstrual. Ou sim).
De facto, o apelo budista que nos últimos três
ou quatro anos sobrevém com omnipresença não
é coisa nova. Saberão os literatos que na
década de 50 o grande escritor Jack Kerouac virou-se
para esses lados no romance Dharma Burms (iniciando a segunda
viragem deste século para Oriente, que depois seria
continuada por John Lennon e mais tarde por Rão Kyao).
E saberão os mais cinéfilos que pelas décadas
de 10 e 20 o mesmo aconteceu. Proporcionou-nos recentemente
a SIC um exemplar momento budista, quando inaugurou as 53
semanas que abordam a história do cinema com O O
Lírio Quebrado de Griffith, um dos pais da 7ª
arte. Esta obra muda conta a história do monge budista
que vem para os EUA espalhar as sábias palavras do
líder religioso mais gordo de todos os tempos. Griffith
cita Buda: «Não pagueis golpe com golpe, não
façais ao outro o que não quereis que vos
façam». Parece que já ouvimos isto em
qualquer lado.
Pois era aqui que queríamos chegar. Propomos a hipótese
de que as recentes atracções pelos ensinamentos
zen e budistas mais não são do que um regresso
ao catolicismo, mas catolicismo sem pecado. Qual é
a piada? Porque, já dizia La Palisse, no pecado é
que está o mal. Enquanto tudo isto acontece, o Papa
vai ao México chatear o PRI, o que deu uma certa
margem de manobra ao Exército Zapatista. Mas essa
grande multinacional que é a Igreja Católica,
essa McDonald's da alma, ainda que lutando pela igualdade
humana, faz-nos o excelente favor de manter o problema da
moral, para que possamos trincar o hamburguer da Santíssima
Trindade (a carne picada é o Pai, o queijo é
o Filho e o bacon é o Espírito Santo) e depois
cantar «Pecados mais saborosos...». J.M.
|
 |
| O Teletexto
é cubista |
|
Um dos mais preciosos serviços
públicos a que a sociedade portuguesa tem acesso
é o Teletexto. O Teletexto dá informações
sobre tudo. O horário da programação
televisiva, os títulos dos jornais, as frequências
das rádios, as farmácias de serviço,
horóscopo, receitas de cozinha e até um conselho
diário. Usá-lo todos os dias é estar
mais perto do mundo e assim ficar mais perto dos outros.
O Teletexto é simples e até lento, mas é
essa a sua virtude. Não nos ataca, está lá
ao dispôr das pessoas como uma lista telefónica
que serenamente permanece debaixo da mesa do telefone e
que, por artes mágicas, todos os anos aparece actualizada.
O Teletexto, contudo, tem contornos artísticos. O
seu macro-pixel que mostra desenhos da era digital cubista,
reduzindo à forma geométrica pura os bens
essenciais do nosso dia-a-dia, sejam os de recreio ou os
utilitários. As cores básicas, utilizadas
cuidadosamente por anónimos autores, ali escondidas
sob os dois canais, como que o MS-DOS da RTP. Quando não
tivermos ninguém a quem recorrer, nem mesmo ao aborrecido
zapping, o Telexto far-nos-á sempre companhia.
J.M.
|
 |
|
|
| |
J.M.
» textos |
|
| |
|
| » |
 |
| » |
 |
| » |
 |
| » |
 |
| » |
 |
| » |
 |
| » |
 |
| |
|