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por:
João MacDonald


Loop Urbano
Hoje, o que mais nos atrai nas cidades são os desvios que elas infligem a si mesmas. Desvios conscientes ou inconscientes, mas não os desvios violentos, antes aqueles que proporcionam pequeninas implosões cerebrais cujas ondas de choque batem ao de leve no interior da ossatura craniana. Isto é, euforia.
A Rua Morais Soares em Lisboa faz esquina com a Rua Sá da Bandeira no Porto. Desvios destes são inconscientes. Queremos falar dos conscientes. Assim, e para uma geografia acidental urbana, os maiores avanços concretizados nas duas principais cidades do país são, a saber: o viaduto de Massarelos, no Porto, e a quádrupla escadaria rolante da Baixa ao Chiado, em Lisboa. O primeiro é o momento prependicular à cidade, o segundo é intestinal. O que menos têm de importante é o melhoramento da qualidade de vida e fluidez do trânsito, pois esses são os objectivos concretos, demasiadamente conscientes.
O que mais têm de importante é a sua função orgânica e o modo como colocam o nosso corpo em relação ao mapa da cidade. Fazemos umas centenas de metros por cima do Douro como em pequeno voo de planador, descemos à Baixa ou subimos ao Chiado nos degraus móveis. Uma escada rolante é sempre uma metáfora do mecanicismo contemporâneo. Poderá não ser de fulcral importância esta consideração. Mas temos de ter alguma coisa para compensar o desprezo excercido sobre a 2ª Circular ou sobre o sinal de proibido buzinar no túnel da Ribeira. J.M.
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