| Vasco
Lourinho ::: Tu sabes o que é aquele tricórnio
pequenino, sabes quem é que me ofereceu aquilo?
365 ::: Não.
Vasco Lourinho :::
Se eu te digo quem é que foi, tu ficas, pá…
365 ::: Quem
é que foi?
Vasco Lourinho :::
Tejero Molina!
365 ::: O
líder da tentativa de golpe de estado franquista em Espanha
em 1981?!
Vasco Lourinho :::
Sim! Foi uma oferta pessoal dele.
365 ::: Que
tipo de pessoa é o Tejero Molina?
Vasco Lourinho :::
Eh pá, como é que ele é? Ele deu um golpe convencido
de que estava a fazer bem. A primeira entrevista que deu na prisão
foi a mim. Nunca se arrependeu. Como é que ele se podia arrepender
de uma coisa que ele achava que estava bem feita? Era como se alguém
perguntasse ao Otelo: “Você ressente-se de ter dado
o golpe do 25 de Abril?”.
365 ::: Onde
é que você estava no dia do golpe de estado em Espanha?
Vasco Lourinho :::
Estava em pijama em casa a fazer pauzinhos.
365 ::: A
fazer pauzinhos?
Vasco Lourinho :::
A fazer pauzinhos era: eles iam dizendo na rádio o nome [dos
deputados que estavam a votar a nova constituição]
e eu ia apontando. O que era absurdo, porque não servia para
nada. Era uma votação que estava ganha. Então
os rapazes da SER [Sociedad Española de Radio] começam
a dizer: “Uns tiros! Uma explosão! O que é que
se passa?!”. O rapaz da rádio começa a ficar
nervoso e diz: “Ah, não há problema! Vem aí
a Guarda Civil”. Nesse momento eu comecei a vestir-me e disse,
“Já está. Tejero.” O que é que
havia de fazer? Era claríssimo. O rapaz da rádio dizia:
“Um agente da Guarda Civil com bigode.” Não havia
nenhuma dúvida que era o Tejero.
365 ::: Você
chegou a Espanha com 21 anos, em 1963. Porque é que foi para
lá?
Vasco Lourinho :::
Eu já tinha relações com gente de Espanha,
e também havia uma namorada minha que disse que ia embora
para Londres aprender inglês, e eu disse: “Pois sim,
então eu vou para Espanha!”. Eu dizia que ia para lá
um ou dois anos, mas não fiquei. No primeiro ano peguei em
mim e fui até à Escandinávia, como um hippie,
à boleia… Eu sempre fui um pouco o lobo solitário.
De vez em quando viajava acompanhado, mas por princípio ia
sozinho. Nessa altura, nos anos 60, era possível fazer a
Europa à boleia. Hoje não fazes. Chegavas a lavar
pratos e ninguém te pedia a autorização de
trabalho. Depois, fazias a vindima. Fiz a vindima na Alemanha, fiz
morangos na Alemanha… Depois, quando estava a pintar um cargueiro
na Suécia, ofereceram-me para ir cortar árvores para
a Noruega. Aí eu já não me atrevi. Voltei outra
vez à Dinamarca.
365 ::: E
isso de pintar barcos?
Vasco Lourinho :::
Era dramático. Era duro. Era muito duro. O que é que
fiz mais? As maçãs e as beterrabas. O que é
que eu teria feito mais? Mais nada! Ah, não! Sabão!
Vendi sabão!
365 ::: Claro,
estava a faltar isso.
Vasco Lourinho :::
No exame de admissão à escola de jornalismo na Espanha
éramos 700 e tal para fazer o exame e passámos 34.
Na última parte do exame, que era com um júri, pergunta-me
o presidente do júri porque é que eu tinha decidido
ser jornalista. E eu, com a ingenuidade e a força de ter
22 anos, disse: “Eu, até há dois meses, vendia
o New York Times em Paris.” E era verdade! “E se eu
sou capaz de vender o New York Times em Paris, também sou
capaz de escrever no New York Times!”. E, anos depois, os
dois ou três do júri com quem eu me fui dando bem na
vida, diziam-me que nunca ninguém tinha dado uma resposta
como essa. E quando estavam a decidir se me iam deixar estudar ou
não, pensaram, “Bem, porque é que a gente não
vai deixar este gajo que quer escrever no New York Times?”.
Era um sistema de entrada férreo.
365 ::: Então,
depois do curso, começou a sua primeira profissão
a sério?
Vasco Lourinho :::
Não. A minha primeira profissão foi trabalhar na Caixa
Sindical de Previdência da Panificação, Moagem
e Massas Alimentícias. Era em Lisboa, na Rua de Buenos Aires.
365 ::: E
então a seguir é que foi estudar para Espanha.
Vasco Lourinho :::
Sim. E aí a minha primeira experiência no jornalismo
foi no Pueblo, que era o jornal dos sindicatos, que punha o pisca-pisca
para a esquerda e virava para a direita. Grande, com força,
com poder. Já não existe. Enfim, os terroristas, não
convinha, não convinha…
365 ::: Foi
aí que começaram os seus problemas com a ETA.
Vasco Lourinho :::
Foi no Pueblo, sim. Porque eu escrevia, contava e sabia o que é
que estava a dizer, e eles sabiam que eu sabia. Porque sempre tens
alguém, sempre tens um amigo que te conta as coisas.
365 ::: E
o medo?
Vasco Lourinho :::
Eu deixei de escrever a sério sobre a ETA - porque para a
televisão, enfim… - em 1979, um ano antes do meu filho,
o Miguelito, nascer. Quando soube que ia nascer o miúdo disse,
“Alto!”. E depois, em 81, quando foi o golpe de estado,
disse: “E para isto tenho aí o miúdo…”.
E nesse dia comecei a pensar em voltar para Portugal. Mas não
voltei. Demorei anos a voltar.
365 ::: Como
era Madrid nessa altura?
Vasco Lourinho :::
Eh pá, era uma cidade porreeeira!… Eu comecei a trabalhar
cedo, e em 65 já tinha automóvel. Na Espanha, era
Deus! Lembra-te que era a Espanha do Fiat 600! Eu podia ir à
Gran Vía [artéria principal de Madrid] e tinha sítio
para estacionar. Hoje nem se pode parar.
365 ::: Era
uma cidade divertida?
Vasco Lourinho :::
Era, era. Havia, se calhar, pouca coisa. Hoje há engarrafamentos
às quatro da manhã. Eram as discotecas, os bares.
Os jornalistas sabiam onde se iam encontrar. Hoje não sabem.
365 ::: Volta
lá muitas vezes?
Vasco Lourinho :::
Milhões de vezes. E já me divorciei duas! A última,
legalmente, há três meses. Eu quando trabalhava para
a Emissora Nacional [actual Antena 1]… Quando me foram repescar,
para voltar para a Emissora… Não que eu tenha sido
saneado, porque nunca conseguiram sanear-me… O burocrata,
que é uma espécie que tem de ser eliminada totalmente,
o burocrata foi lá buscar o meu processo e, “Oh! O
camarada Jaime Gama não tinha o Vasco Lourinho na lista para
sanear?! Como é que não podemos sanear o Vasco Lourinho?
Ora, só podemos sanear o Vasco Lourinho tendo um processo
dizendo que o Vasco Lourinho existe!”. E não existia,
porque um amigo meu, que trabalhava na rádio, quando o sanearam,
ele foi lá e roubou o meu processo, sem o qual o burocrata
não me podia sanear! E então, quando eles foram lá
repescar-me, já com os socialistas - eu sempre entrei e saí
da rádio e da televisão com os socialistas -, os rapazes
de repente descobrem que eu não sou da corda e… Era
o que diziam os gajos, os comunistas, lá na televisão:
“Então só agora é que vocês descobrem
que ele não é da corda? Vocês só agora
é que descobrem que ele é da direita? Ele não
ocultou nunca!”. Diziam isto os comunistas lá na televisão,
diziam ao presidente do conselho de administração:
“Não, não! Vocês têm de sanear o
homem!” E fui saneado, foi um saneamento político.
365 ::: O
problema do seu despedimento é que você, enquanto correspondente
em Espanha da RTP, nunca trabalhou com contrato, correcto?
Vasco Lourinho :::
Era. Mas eles deviam saber que as leis são para cumprir.
Eles e eu! E eles disseram que não, que não existia
nada, que nós não estávamos casados. E eu dizia
que não estávamos casados, mas dormíamos juntos
todos os dias. É evidente ou não? A televisão
aquecia-me os pés, pá, todos os dias! E agora dizer,
de repente, “Não, não o conheço”?
Não pode ser. E perderam.
365 ::: Como
é que começou a trabalhar para a RTP?
Vasco Lourinho :::
Foi o Adriano Cerqueira que telefonou e disse, “Pá,
tu és capaz de fazer uma crónica sobre a nova constituição?”.
“Sou.” “E podes mandar isso para nós?”.
“Não sei. Eu nunca fiz nada de televisão.”
“Não faz mal, isto é como na rádio. Tu
olhas para a câmara. A que tiver a luz acesa, é essa.
Chegas lá e debitas 20, 30 linhas, metes na cabeça,
pões o papel à frente, começas a olhar discretamente
para o papel, discretamente para a câmara, vais inventando,
alguma coisa que não acertas vais improvisando…”,
e cheguei ao fim. E perguntei se continuava. “Eh pá,
manda outra.”
365 ::: Quantas
crónicas enviou, em 20 anos?
Vasco Lourinho :::
Não sei. Eu sei que no penúltimo ano eu estava mandando…
Eu trabalhava mais ou menos 12 vezes mais que o Cesário Borga
[actual correspondente da RTP em Madrid] quando ele foi para lá.
Não disse duas vezes mais, eh? Disse 12 vezes mais. Se quiseres
eu mostro-te os papéis. Eu guardo tudo. Ainda tenho aí
dois maços de folhas… Eu mandava normalmente, por ano,
entre 250 a 320 crónicas.
365 ::: Quando
é que percebeu que era já um fenómeno em Portugal?
Vasco Lourinho :::
Quando os meus filhos iam atrás de mim e diziam, “Papá,
hoje só duas pessoas é que não disseram, ‘Aí
vai o Vasco Lourinho’”. Eu ia com os meus calções
à praça de Quarteira - hoje continuo a fazer a mesma
vida, mas agora vou à praça em Albufeira -, e toda
a gente, “Então, Sr. Lourinho, como é que está?”.
No outro dia chego ao supermercado e um gajo desses que estão
lá a fazer coisas diz-me, “Pode emprestar-me a sua
esferográfica?” (a esferográfica que eu trazia
para riscar o papel das compras), e olha para mim e diz, “Eu
conheço-o de algum sítio…”. “Sim,
pá…” (o que eu queria era a esferográfica…),
“…da televisão”. É que nessa altura
havia três correspondentes que marcavam: António Esteves
Martins, que é o melhor de todos nós. O Esteves Martins
é o melhor. É o tipo que é capaz de ir fazer
um desafio de futebol, um campeonato de atletismo, o enterro da
pobre princesa [voz comovida], falar da União Europeia e
fazer o Prémio Nobel. “Ó António, vai
embora para a Suécia fazer o Prémio Nobel!”.
Pega na sua agenda - não tem agenda electrónica, porque
a mulher é capaz de compreender a agenda electrónica
(ele nunca ensinou a mulher a falar português, nunca! Porque
assim a mulher nunca sabe onde é que o gajo está,
e nem sabe o que é que o gajo está a dizer!) -, ele
pega e diz, “Ora bem, na Suécia conheço fulana,
fulana e fulana.” E liga às dez amigas, ou às
oito, ou às quatro, e diz, “Vou para Estocolmo depois
de amanhã!”. “Oooh!”, dizem elas. “Bem,
mas ouve lá uma coisa: eu preciso de fazer este trabalho.
Quem é que tu conheces deste círculo?”. E ele
sempre tem uma amiga que conhece alguém naquele círculo
de informação. É o melhor de todos nós,
o António Esteves Martins.
365 ::: E
o outro?
Vasco Lourinho :::
O outro é o Carlos Fino. O Carlo Fino, pá, se o deixam,
é capaz de estar meia hora a falar. Mas o gajo fala. E quando
lhe dizem, “Olha, tens um minuto para falar”, o tipo
mete um minuto na cabeça, atira cá para fora, solta
a história dele, um minuto, pronto! E depois estava eu, era
o tímido. E continuo a ser. Mas o Mário Crespo também
era bom. Mas, porque é que as pessoas ficavam encantadas
comigo, vamos chamar-lhe assim? Eu costumo dizer que tenho os quatro
defeitos fundamentais para não trabalhar na televisão:
sou feio, gordo, careca e de direita! Mais defeitos, impossível,
pronto! A malta acredita naquilo que eu digo, isso diziam as sondagens
na televisão.
365 ::: Como
é que apanhou esse sotaque?
Vasco Lourinho :::
Acordando de manhã a ouvir rádio com uma espanhola
ao lado, pá, e à noite a mesma coisa. A rádio
e uma espanhola ao lado, pá.
365 ::: E
recebia cartas de fãs?
Vasco Lourinho :::
Repara uma coisa: sou feio, gordo, careca e de direita!
365 ::: Mas
de que direita?
Vasco Lourinho :::
Eh pá, da direita… O que é que queres que eu
te diga? Esta gente surpreende-me… Que idade tu tens?
365 ::: Tenho
28 anos.
Vasco Lourinho :::
Estavas a nascer, pá, estavas a nascer quando foi isto. A
ti ninguém te disse o que é que aconteceu neste país.
365 ::: Mas
tenho muitas maneiras de o saber.
Vasco Lourinho :::
‘Tá bem, pá, mas alguém tem que te dizer
que neste país, estes rapazes tinham que ter sido julgados
num tribunal dos direitos humanos. É bom que a gente não
se esqueça deste pequeno pormenor. Depois, pá, condecorámos
os gajos, e protegemo-los. Um genocídio é um genocídio,
um assassínio, hein? Quem é que mandava os analfabetos
de Trás-os-Montes para morrer em África? Quem era?
Assim como a ETA é o braço armado do Batasuna, os
oficiais do quadro eram os braços armados do Salazar! Eh
pá, é bom que a gente não se esqueça
desse pequeno pormenor! O Salazar sozinho não podia, tinha
muitas coisas que fazer, e tinha a PIDE e o exército. Um
gajo perguntava, “Mas, ó rapaz, explica-me como é
que tu chegaste a capitão.” “Cumpri ordens.”
“Desculpa lá, mas isso era o que diziam os rapazes
lá em Nuremberga e enforcaram-nos a todos.” “Oh,
mas vamos esquecer…”. “Não, não.
Aqui a gente não esquece nada. A gente pode perdoar, mas
esquecer não.” Até parece que neste país
ninguém fez a guerra em África. Quem é que
mandava matar em África? E a gente séria que esteve
em África, mais de um, mais de dez, que meteu um tiro em
África? E tu ouviste falar de um general que era um gajo
porreiro, o general Delgado?
365 ::: O
general Humberto Delgado, que foi assassinado pela PIDE.
Vasco Lourinho :::
E que foi comissário da Mocidade [Portuguesa, instituição
de propaganda de Salazar que incorporava as crianças, espécie
de escotismo fascista]. O meu comissário foi o general Delgado.
Essas coisas um gajo não pode esquecer. E o Otelo? E o camarada
Vasco Gonçalves? Eh pá, não se chega a almirante
por acaso. Chega-se a almirante ao serviço do fascismo! Não
neguem. Eu vi o 25/4 na televisão: vamos acabar com a guerra
colonial, diziam os capitães. Acabar com a guerra colonial!
Vocês são a guerra colonial!! Porque os milicianos
não iam lá fazer a guerra. Os milicianos não
eram os gajos que estavam directamente interessados no assunto.
365 ::: O
que é que fez quando deixou de ser correspondente da RTP?
Vasco Lourinho :::
Estive na direcção de uma empresa de investimentos
em filatelia, e nada mais. Depois vim para cá, depois voltei
para lá, mas não apetecia meter-me outra vez no barulho.
Gosto mais de estar aqui no exílio algarvio.
365 ::: Aceitaria
alguma vez um cargo diplomático em Espanha?
Vasco Lourinho :::
Não, nem sequer conselheiro de imprensa. É muito difícil
conviver com os diplomatas. São complicados. Tenho muito
boas relações com o embaixador Martins da Cruz, agora
ministro [dos Negócios Estrangeiros]. Com o [Fernando] Reino
[também ex-embaixador em Madrid] tive uma relação
horrível, até que lhe disse, “Eh pá,
não se chega a embaixador de repente…”. Começa-se
por terceiro secretário (na altura ainda havia), segundo
secretário, primeiro secretário, ministro conselheiro,
e então embaixador, sempre justificando os crimes do fascismo…
E quando digo isso, não há democrata que resista.
E de repente compreendem: é melhor darem-se bem com o Lourinho!
E passa-lhes. O Reino passou a ser um amigo. Depois, o Sá
Coutinho: é um grande embaixador, apanhei-o no 25 de Abril,
estava ele lá…
365 ::: Há
algum embaixador de que realmente não tenha gostado?
Vasco Lourinho :::
O Rocheta, muito do “antigamente”. O que morreu num
acidente de automóvel em Trujillo.
365 ::: E
a censura? Sofreu alguma censura?
Vasco Lourinho :::
A censura mais bonita que tive foi um dia em que mandei uma crónica
para a Emissora a dizer que havia cólera em Aragão.
Como é que eu sabia que havia cólera? Porque nessa
altura o meu cunhado era médico lá. Mando a crónica,
e passado uma hora telefonam-me do Ministério da Informação
e Turismo: “Que vá ao ministério.” Era
o ministério do Fraga [Iribarne] (já o tinha conhecido
anos antes, quando foi meu professor em Ciências Políticas).
“Então disseram-me que fez um crónica sobre
a cólera em Espanha. Não há cólera em
Espanha. Há diarreias estivais.” E eu: “Senhor
ministro… Vamos a ver, professor…”. “Diarreias
estivais. É verdade que o vai mudar?”. Telefonei passado
um bocadinho para a Emissora: “Eh pá, anula essa crónica
que eu vou mandar outra.” E foi o Fraga pessoalmente a dizer:
“Não há cólera, há diarreias estivais.”
365 ::: Como
é o Fraga?
Vasco Lourinho :::
Eu conheci o Fraga como professor, nos tempos em que ele dava um
pontapé nas cadeiras que se encontravam no caminho para a
mesa dele. Que chegava à aula, e podia haver três,
quatro, cinco alunos, e o contínuo fechava a porta à
chave e não entrava ninguém. Depois, encontrei-o na
televisão, em que ele dizia onde é que tinhas que
pôr a câmara, e tu não discutias, o que é
que vais fazer, não é? Já o conheces há
20 anos, vais agora estar a discutir com ele que quem manda nisto
és tu? Não, pá, manda ele, pronto, professor…
E depois encontrei-o já na Galiza, nos primeiros quatro anos
da sua presidência. Mas antes já o tinha encontrado
também como embaixador. Depois, estive com ele a seguir ao
atentado, e quando morreu a mulher. O Fraga já está
acima do bem e do mal. Este assunto do Préstige caçou-o
de uma forma… Não foi justo que no fim da carreira
política lhe tenha acontecido isto.
365 ::: Há
alguma palavra ou expressão espanhola que lhe seja particularmente
grata?
Vasco Lourinho :::
Há uma, quando há uma discussão: “No
me toques los cojones!”
365 ::: E
um provérbio?
Vasco Lourinho :::
“El que venga de tras que cierre la puerta!”
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