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Por: Fernando Alvim; Fotografia: Steve Stoer
Ocupa-se de arquitectura, quase que acabava bailarina, um dia gostava de ser (ainda mais) actriz. Só não lhe peçam para vender seguros. Xana Campos já teve nove namorados, e continua a perguntar, na televisão e na rádio, em que é que nos pode ser útil. Fernando Alvim fixa a mira na rapariga que continua a dizer que é a Marta da OK TeleSeguro. Sempre sorridente.

365 - Tu naquele anúncio estás como uma atitude muito direitinha. És mesmo assim?
XANA CAMPOS - Não. Não sou uma pessoa muito direitinha mas também não me preocupo com isso. Em ser direitinha ou deixar de ser, não me diz absolutamente nada.

365 - Já fizeste alguma coisa que te arrependesses de ter feito ou que fosse demasiado radical? Tipo: “o que é que eu fiz?”
XANA CAMPOS - Ah, espero bem que sim… quer dizer…acho sim, toda a gente já se deve ter arrependido de fazer imensa coisa e .. “olha eu devia ter feito isso ou devia ter feito de outra maneira, que estupidez!” claro que já, de certeza que já me arrependi de coisas que tenha feito. Não me lembro exactamente o quê. Se calhar não é nada de dramático.

365 - Mas és uma menina bem comportada?
XANA CAMPOS - Tem dias. [risos] Devo confessar que tinha um pai bastante austero e talvez por isso, pela forma muito disciplinada com que fui educada, cedo quis reagir em oposição, em particular na adolescência onde desde muito cedo quis sair à noite contra a vontade dos meus pais que me queriam ver mais em casa. Não foi fácil. Era levada da breca.

365 - Quase que adivinho que fizeste muitas asneiras.
XANA CAMPOS - Algumas. Tipo, faltar às aulas para ir para casa de umas amigas minhas ver e ouvir vídeos dos U2 enquanto fazíamos lanches e jantares que ainda hoje não esqueço. É curioso, mas lembro-me que na altura existiam umas botas tipo cowboy que eu adorava e o meu pai detestava. Chegou-me a dizer “ Xana Campos, nunca terás umas botas à cowboy enquanto for eu a sustentar-te e livra-te de trazer umas para casa”, e depois disto, se depressa o pensei, melhor o fiz. E pronto, eu, que na altura tinha 14 anos, e mais duas amigas, arranjámos forma de não irmos de férias com os nossos pais nesse mês de Agosto e, em segredo, conseguimos um emprego numa loja de roupa na baixa que nos permitiu não só comprar as ambicionadas botas à cowboy, daquelas de biqueira de aço, mas também nos fez divertir muito. Por estarmos sozinhas em casa e aproveitarmos isso para fazer jantares, usar a roupa dos nosso pais, ver filmes, enfim, divertidíssimo.

365 - Mentias aos teus pais?
XANA CAMPOS - Claro. [risos] Sempre que era preciso! Eu já te disse que tinha um pai exigente, portanto… não tinha hipótese. Às vezes, era mesmo preciso.

365 - Já vi que foste prematura na conquista da tua independência.
XANA CAMPOS - Sim, não tenho dúvidas disso, acho que o quis ser desde o momento em que nasci. Tinha que ser tão bem comportada que o meu sonho sempre foi sair de casa entre os 16 e os 18 anos.

365 - E saíste?
XANA CAMPOS - Mais tarde.

365 - A que horas? [risos]
XANA CAMPOS - Às nove da noite, quando tinha 22.

365 - Antes disto, chegaste a dormir fora de casa muitas vezes?
XANA CAMPOS - Em algumas ocasiões, devo admitir que sim. É o velho clássico: “Olha mãe, vou dormir a casa da Ana”, que era uma amiga minha, da mesma idade, que me encobria sempre nestas coisas.

365 - Quer dizer que não dormias em casa da Ana?
XANA CAMPOS - Às vezes sim, só que dormíamos entre as 4 da manhã e as 8, percebes? Ao contrário do que seria suposto, não dormíamos das 10 da noite às 8 da manhã e não me perguntes mais nada!! [risos]

365 - Então e os namorados… a que idade é que apareceram?
XANA CAMPOS - Na creche. Na creche tinha nove namorados.

365 - Quantos???
XANA CAMPOS - Nove.

365 - Com mil repolhos, isso não era possível, nove? A que é que tu chamas namorado?
XANA CAMPOS - Ora, namorado é aquele rapaz que vai apanhar o molho de azedas ao jardim e vem assim, com um molho de azedas da largura duma mesa, não sei, assim um molho de azedas e oferece as azedas todas que estavam no jardim. Isso aos nove anos era ter um namorado bem como um outro que fazia um desenho dedicado só para mim. Isso é outro namorado! [risos]

365 - Mas depois dos namorados da creche, surgiu o teu primeiro namorado a sério, ainda te lembras?
XANA CAMPOS - O meu primeiro namorado, sim. Depois disso, não tive assim tantos.

365 - E a história do anúncio, como é que surgiu o convite?
XANA CAMPOS - Olha, foi há imensos anos, numa altura que eu não tinha ideia do que iria fazer à minha vida e me tinha metido num daqueles cursos técnico-profissionais que estavam muito em voga. Um curso de decoração de interiores onde durante um ano aprendi muito e repartia o meu tempo com aulas de dança que chegaram a valer-me uma bolsa numa companhia que me chegou a fazer pensar que iria ser bailarina. Não aconteceu, mas foi numa ida para uma dessas aulas que me descobriram.

365 - Como assim?
XANA CAMPOS - Foi alguém que me viu no metro e que, sem me conhecer, veio atrás de mim e me disse que tinha um papel com a minha cara. Que era eu, que o papel era para alguém com o meu perfil e não outra. Era eu.

365 - E eras?
XANA CAMPOS - Era. A Mariana. Fiz o papel de louca, louca mesmo, daquelas que atiram malas à cara das pessoas e coisas assim. Lembro-me de uma cena em que a minha voz era dobrada pela Sofia Reis e eu dizia originalmente, em tom desesperado “Vão-se embora, vão-se embora”. Com a dobragem não se percebia dessa forma, perdia intensidade, e aí senti-me um pouco frustrada, embora tenha gostado da experiência que me levou mais tarde à Endemol e à produção televisiva, e à série Médico de Família. A Patrícia Vasconcelos viu-me na televisão e convidou-me para o casting do anúncio a que te referes.

365 - E depois, nunca mais fizeste nada?
XANA CAMPOS - Pouco, porque a arquitectura me começou a absorver de uma forma tão intensa que quase não me deixou espaço para mais nada. Participei no filme “Les Filles à Pappa” para a TF1 francesa, e na última novela da Globo, que já estreou no Brasil. Gostava de ter determinados realizadores a dirigirem-me.

365 - Alguém em especial?
XANA CAMPOS - Alguém especial, mas não me atrevo. Não sei até se dá para falar das coisas desta forma, mas a minha intenção era mesmo experimentar. Tenho uma profunda admiração pela obra do Fernando Lopes, do Manoel de Oliveira, do Paulo Rocha, do João César Monteiro…

365 - E na arquitectura?
XANA CAMPOS - Na arquitectura, alguém especial… O arquitecto com quem estou a trabalhar há um ano, Raúl Hestnes Ferreira, que trabalhou com o Louis Khan nos E.U.A., e que, naturalmente, influenciou muito a sua obra. Mas temos arquitectos notáveis: o Vítor Figueiredo, o Siza Vieira, outros da geração mais recente… É impossível falar assim de arquitectura, deixa lá isso…!

365 - Como é que desenharias a tua casa?
XANA CAMPOS - Como ela deixar… Com carácter, que encerre um mistério, que se quer libertar, que se quer controlar, que se quer fechar, que se quer abrir, à luz, e com paredes, e outros filtros.

365 - Tens sempre na mão aquilo que queres?
XANA CAMPOS - Não. O que é que chamas ter na mão?

365 - Dominar? [risos]
XANA CAMPOS - Isso é um bocado diferente. Embora não seja grave, acho que é um defeito, não é virtude nenhuma e tenho de facto o hábito de ter um bocado o domínio das situações.

365 - Dominadora?
XANA CAMPOS - Não sei se sou dominadora ou não. Eu sou um bocado possessiva em todas as relações afectuosas que tenho. Mas nada de muito dramático, entendes? Sou possessiva, gosto muito dos meus amigos, tenho ciúmes deles.

365 - Não és ciumenta obsessiva?
XANA CAMPOS - De todo, não, não, nada disso. Eu quando gosto, gosto muito. Isso de certa forma pode parecer que é possessão mas para mim não o é…. Para que percebas, às vezes gosto tanto de um amigo que, se lhe fazem alguma coisa de mal, é o mesmo que estarem a fazer mal a mim. É mais isto.

365 - As mulheres como tu deparam-se com um problema que pode ser grave. Os amigos, sendo tu tão bonita e dedicada, às vezes podem confundir isso com algo mais do que amizade. Nunca te aconteceu?
XANA CAMPOS - Se o que me estás a dizer é que às vezes os sentimentos se misturam, se confundem, a resposta é esta: se calhar, já.

365 - Se calhar ou já aconteceu?
XANA CAMPOS - Não… as coisas podem acontecer assim, mas não as vejo dessa forma. Eu sei que tenho amigos que gostam muito de mim e se calhar quem está de fora pode equacionar outras intenções que não são as reais. Mas, quer dizer, eu tenho o meu lado perverso, como podes imaginar, não há ninguém que não tenha! [risos]

365 - Huumm, tens o teu lado perverso!!…
XANA CAMPOS - Tenho o suficiente, no sentido enriquecedor! E adoro o lado complexo dos meus amigos.

365 - Até onde é que pode ir o teu lado perverso?
XANA CAMPOS - Até onde eu quiser.

365 - Nunca ninguém fugiu de ti?
XANA CAMPOS - Fugiu de mim, como assim? Com medo de mim? Talvez. Eu própria por vezes fujo de mim. Com medo de mim.

365 - Tens medo de ti? Medo de quê?
XANA CAMPOS - É assim, no fundo, no fundo, medo, medo, não tenho medo de nada, não é? Medo do quê? Tenho medo… Daquelas coisas que não vês e que te podem atingir sem estares à espera, sem que nada possas fazer. O medo do abstracto, daquilo que nos parece estar um bocado longe, que dá mostras de ser inconsciente. Esta coisa dos vírus, tudo o que não podes fazer nada para mudar, as doenças, um vírus não-sei-do-quê, uma bomba a chegar não sei de onde, tás a perceber?

365 - E a Marta da OK TeleSeguro. Vias-te no papel dela na vida real?
XANA CAMPOS - Não, não me imagino num call-center.

365 - Mas quase que aposto que já seduziste alguém ao telefone.
XANA CAMPOS - Sei lá, acho que sim. Ao telefone e sem ser ao telefone. Se calhar, faz parte
de mim. A sedução faz parte da vida, digamos assim.

365 - Nunca tiveste nenhuma conversa telefónica fora do normal?
XANA CAMPOS - Quer dizer…sem ser na história da Marta não me recordo. Acho mesmo que não, não ligo, ainda que seja capaz de estar horas com uma só chamada.

365 - E já precisaste de usar algum seguro por teres tido acidente?
XANA CAMPOS - Não, nunca tive.

365 - E especialidades, tens?
XANA CAMPOS - Depende. A nível culinário tenho algumas especialidades super práticas que funcionam lindamente. Exemplos? Salada de frutos de Inverno, é uma óptima sobremesa.

365 - Nunca te puseste no lugar de sobremesa?
XANA CAMPOS - Não.

365 - Mas devias, acho que davas uma óptima sobremesa. Devias até comprar uma lingerie especial, que achas?
XANA CAMPOS - Acho que não tens muito a ver com o assunto. [risos]

365 - Quando eras pequena a que é que brincavas?
XANA CAMPOS - Sempre com uma profissão liberal onde os lápis eram cigarros. Adorava legos. Construía cidades inteiras, quintas e casinhas. E quando nessa altura as outras crianças se entretiam a fazer colecção de estrumpfes ou outros que tais de séries da televisão, eu já dava por mim a fazer filmes no quarto, onde ninguém podia abrir a porta sem aviso prévio sob pena de poder estragar uma cena num quarto atolado de coisas no chão.

365 - Ainda gostas de fazer filmes?
XANA CAMPOS - Gosto. Adoro fazer filmes.

365 - E fazes?
XANA CAMPOS - Faço [risos]

365 - Como é que eles são?
XANA CAMPOS - Variam muito. Não há bem uma linha condutora. Podem ser românticos, de aventura a até mesmo de terror.

365 - Medo. O que é para ti um bom bocado?
XANA CAMPOS - Um bom bocado? É um bolo.

365 - Fala-me dos teus pequenos prazeres.
XANA CAMPOS - Os meus pequenos prazeres são fazer renda… [risos] Tou a brincar, tou a brincar, não é nada. Os meus pequenos prazeres são muitos, mas adoro ir ao cinema, ler, estar em minha casa a apanhar sol numa cadeira muito quentinha, a ler, a ouvir música, ou então estar horas a cozinhar, começar a meio da tarde, ter pessoas comigo e ficar com elas o dia todo, imensos à mesa, à conversa, sem que se perceba que o tempo passa, a ver slides e whatever… a comer, adoro comer!

365 - O que é que gostas de comer?
XANA CAMPOS - Tudo!

365 - Comes tudo?
XANA CAMPOS - Quase tudo, só não gosto de fígado.

365 - És pouco esquisita…
XANA CAMPOS - Muito pouco esquisita.

365 - E elástica, és? Consegues fazer a esparregata?
XANA CAMPOS - Consigo.

365 - Na boa?
XANA CAMPOS - Não, na boa, não é bem assim…nunca se deve fazer a esparregata na boa, tem sempre que se aquecer primeiro.

365 - E tu aqueces?
XANA CAMPOS - Aqueço [risos]

365 - Voltando à conversa do telefone de há pouco, qual é a relação com o teu telefone?
XANA CAMPOS - Telemóvel.

365 - Vês alguma coisa de freudiano no objecto?
XANA CAMPOS - Estás a perguntar se eu olho para aquilo e acho que tem uma forma fálica? De todo. Não.

365 - Agora há uns novos modelos… não?
XANA CAMPOS - Não reparo muito. Estou satisfeita com o meu.

365 - Estás satisfeita com o teu telemóvel…
XANA CAMPOS - O suficiente.

365 - É amarelo…É pequenino ou grande?
XANA CAMPOS - É pequenino.

365 - Gostas mais de coisas pequenas ou grandes?
XANA CAMPOS - Dá mais jeito ter pequeno, que é para caber na mala…

365 - [risos]
XANA CAMPOS - E é leve, também…

365 - Gostas de coisas leves, também?
XANA CAMPOS - Também.

365 - És a favor de drogas leves ou duras?
XANA CAMPOS - Se sou a favor?

365 - És a favor de algum tipo de droga?
XANA CAMPOS - Sou consumidora convicta de quase todas as drogas socialmente aceitáveis. [risos]

365 - Tens algum problema em comer alguma fruta? [risos] Por exemplo, uma banana, és capaz de comer em frente aos teus amigos na boa?
XANA CAMPOS - Evidente que sim, qual é o problema?

365 - Não pensas que isso pode ter algo de pecaminoso? Não… isso é a minha mente perversa.
XANA CAMPOS - Pois…

365 - Eras capaz de comer um Calipo em frente ao pessoal?
XANA CAMPOS - Ai não, não ligo a Calipos.

365 - Não gostas…
XANA CAMPOS - Não acho nada interessante o gelado, como sobremesa…

365 - A Torre Eiffel faz-te lembrar alguma coisa?
XANA CAMPOS - Faz-me lembrar quando lá estive.

365 - [risos] Gostas mais de calças com fecho éclair ou com botões?
XANA CAMPOS - Se calhar fecho éclair dá mais jeito.

365 - Porquê?
XANA CAMPOS - Sei lá, é mais prático!

365 - Mais prático para quê?
XANA CAMPOS - Para quando estás muito aflito!

365 - Estás muito aflita, às vezes?
XANA CAMPOS - Às vezes estou…

365 - Como é que fazes para aliviar a tensão?
XANA CAMPOS - Vou precisamente à casa de banho.

365 - Usas mais calças ou mais saias?
XANA CAMPOS - Mais calças. Porque dá mais jeito

365 - Sabes… os homens gostam muito de saias…
XANA CAMPOS - Nós também, pelas mesmas razões.

365 - E de uma historinha antes de adormeceres, gostas que contem uma antes de adormeceres?
XANA CAMPOS - Normalmente leio sempre um bocado antes de adormecer.

365 - E quando te levantas qual é a primeira coisa que gostas de fazer?
XANA CAMPOS - Espreguiçar-me.

365 - O que é que te faz aquecer numa noite fria de Inverno?
XANA CAMPOS - O meu gato… e não só, entre outras coisas

365 - O teu gato é quentinho?
XANA CAMPOS - É… o meu gato, o meu aquecedor, uma mantinha… essas coisas!

365 - Já alguma vez te sentiste muito, muito fria?
XANA CAMPOS - Já, porque tenho péssima circulação. Fria, não frígida [risos]


Dados Pessoais:
29 anos, Xana Campos, arquitecta, 12 Fevereiro 1973, signo Aquário, ascendente Virgem, nasceu em Lisboa, Maternidade Alfredo da Costa.


 

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